EM FRANCA, UMA REPUBLICANA GUERREIRA NO COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E MENINAS

DELEGADA DRA. GRACIELA AMBRÓSIO (PR-SP) aponta a falta de políticas públicas e a desigualdade social, os dois pilares que provocam o aumento desses crimes, incluindo os atos libidinosos, entre eles o estupro de menores, que teve estatística triplicada na cidade, também, por conta de campanhas e o aumento de denúncias das vítimas.

No início do relacionamento é tudo muito lindo, tudo muito bom. Com o passar do tempo aquele amor, aquela simpatia e respeito que existia no relacionamento do casal, vão desmoronando sob os comportamentos possessivos e agressivos do companheiro. Na primeira ameaça d’ela ir embora, ele se mostra arrependido, desculpa-se e promete nunca mais repetir ou praticar qualquer tipo de violência. Ela acredita, dá uma chance e a partir daí inicia-se um ciclo violento nesse relacionamento, chegando a abusos sexuais, espancamentos, até assassinatos cruéis e covardes.

Em outro caso o abuso se dá contra uma menina, uma pequena e pura menina, que sumiu quando brincava de boneca com a coleguinha em frente de casa, sendo encontrada após diligências policiais, enterrada em quintal da casa ao lado, após ser violentada e morta pelo vizinho. Em outra notícia se descobre uma menina de 13 anos estuprada pelo padrasto desde os dois anos de idade, ficando com marcas psicológicas pesadas para o resto da vida.

Estas histórias fictícias presentes em muitos temas de novelas se assemelham à triste realidade enfrentada por mulheres e meninas de todo o Brasil, não sendo diferente na cidade de Franca, onde a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher, a líder republicana Dra. Graciela Ambrósio, atua diariamente nessa triste e dura luta do combate aos crimes ligados a mulheres, meninas, bebês, crianças e idosos.

PERDENDO O MEDO E DENUNCIANDO MAIS.

Índices de 2017 divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) revelam que 80% das 75 ocorrências de estupro registradas na Delegacia de Defesa da Mulher de Franca, tiveram como vítimas menores de 14 anos. São, em sua maioria, meninas vulneráveis (que não respondem por si). Estes números mostram que o abuso sexual a vulneráveis triplicou, quando comparados aos casos registrados em 2016: de 59 ocorrências, 15 foram de estupro a menores de 14 anos.

Para a delegada Dra. Graciela Ambrósio, as denúncias vêm aumentando motivadas pelas campanhas publicitárias e pela abertura do assunto na mídia e na sociedade, o que promove maior consciência e, consequentemente, a perda do medo de denunciar os abusos sofridos. “Os números de boletins de ocorrência estão realmente maiores, mas parte disso é atribuída à coragem das vítimas.”, explica delegada Graciela ao concluir seu raciocínio: “Atualmente, como isso vem sendo muito difundido na mídia, como jornais, internet e televisão, e no nosso cotidiano, estão denunciando mais e sendo mais detalhistas.”, afirma Dra. Graciela.

O PERIGO MORA AO LADO.

Delegada, Dra. Graciela Ambrósio, lembra dados muito preocupantes que apontam pessoas íntimas da criança (tios, avós, padrastos e até os próprios pais) como autoras desses terríveis e dolorosos crimes contra incapazes. “Esses últimos (os pais) são mais comuns e ‘atacam’ seus alvos com diversas formas de atos libidinosos, desde passadas de mão até concretização do ato sexual”, revela a líder do PR Mulher paulista, delegada Dra. Graciela, ao fazer importante alerta sobre estar atento à proximidade do acusado.

“O acusado é alguém próximo do menor e se comporta ‘de forma normal’. Por isso mesmo é importante prestar atenção se a criança fica nervosa diante da pessoa; se está mais agressiva ou calada; se há marcas em seu corpo; e perda de interesse em coisas que antes lhe chamavam atenção.”, alerta a republicana e experiente delegada, Graciela Ambrósio, há quase trinta anos na função.

APOIO DA FAMÍLIA E POLÍTICAS PÚBLICAS

A líder republicana continua seu pedido de atenção aos familiares, ao ressaltar a fundamental necessidade das pessoas abusadas terem respaldo da família, lembrando que são vários os casos em que precisam encaminhá-las (criança e família) ao Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), onde são assistidas por equipe de psicólogos.

Porém, Dra. Graciela revela que apesar do excelente trabalho desenvolvido pelas equipes da Delegacia de Defesa da Mulher e do CREAS, o ‘pós-denúncia’ fica prejudicado por insuficiência de ferramentas adequadas.

“Ainda que exista esse encaminhamento para os Creas, em alguns casos, medidas judiciais, condenações e respaldo do Conselho Tutelar, o País, como um todo, não tem muitas políticas que ajudem as vítimas. E elas são necessárias, pois essas situações causam marcas permanentes no psicológico de qualquer pessoa. Precisamos de uma mudança urgente!”, exclama delegada Graciela ao concluir:

“Infelizmente, em razão da desigualdade e principalmente da falta de políticas públicas, o problema dos estupros só aumenta. Mas acredito que, hoje em dia, as denúncias são proporcionais aos casos, pois, se a mãe não denuncia, por exemplo, há alguém da família que nos procura.”.

RESPONSABILIDADE E CIDADANIA.

Conscientes de suas responsabilidades cidadãs, os líderes republicanos da região de Franca, delegada Dra. Graciela Ambrósio e seu irmão, também delegado, Dr. David Abmael David, desenvolvem palestras sobre o tema para esclarecer e contribuir no processo de conscientização das pessoas, assim como aconteceu na missa especial do domingo, 25/2, na Igreja São Benedito, quando foi lançada a Campanha da Fraternidade 2018 com o tema: Fraternidade e Superação da Violência. O evento deixou a mensagem de que a superação da violência só é possível a partir da união de todos.

DENUNCIE!

Na cidade de Franca, as vitimas de todas as idades e sexos devem procurar a Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher ou denunciar com ligações gratuitas através dos telefones 197 ou 100.

ENTREVISTA – DELEGADA DRA. GRACIELA AMBRÓSIO

Publicamos abaixo, na íntegra, entrevista concedida pela delegada Dra. Graciela Ambrósio na edição do domingo, 25 de fevereiro, do jornal Comércio da Franca. A reportagem é de Marcella Murari e a foto de Divaldo Moreira/Comércio da Franca. 

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS QUE VOCÊ PERCEBE A RESPEITO DE VIOLÊNCIA SEXUAL DE 15, 20 ANOS ATRÁS, PARA OS DIAS DE HOJE?

Os casos são sempre os mesmos no que diz respeito à forma que acontece o abuso e quem comete esse crime. Antes, a gente via uma ocorrência ou outra. Porém, hoje, as denúncias não são mais tão tímidas. Não apenas em números, mas também nos relatos que as vítimas dão e também na percepção que elas têm. Atualmente, como isso vem sendo muito difundido na mídia, como jornais, internet e televisão, e no nosso cotidiano, não é mais assim. Estão denunciando mais e sendo mais detalhistas.

COMO IDENTIFICAR QUE UMA CRIANÇA FOI OU ESTÁ SENDO VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL?

É importante prestar atenção se ela fica nervosa diante da pessoa; se há marcas em seu corpo; se está mais agressiva ou calada; mudança no comportamento e perda de interesse em coisas que antes lhe chamavam atenção. Qualquer alteração e forma diferente de agir e falar deve ser observada e, depois, conversada com a criança.

COMO ORIENTAR UMA CRIANÇA, ADOLESCENTE OU PESSOA EM CONDIÇÃO VULNERÁVEL DE NÃO PERMITIR QUE AQUILO ACONTEÇA?

As vítimas precisam ser ouvidas e ter diálogos com pessoas de confiança para distinguir o que é certo ou errado. É necessário que converse bastante e mostre isso. As escolas têm feito campanhas de conscientização de acordo com as idades de seus alunos e abordando o assunto de uma forma esclarecedora e delicada. Tudo isso ajuda e, quando o abuso é denunciado pela vítima, o ouvinte deve mostrar que aquilo é errado e procurar as autoridades.

EM FRANCA, TIVEMOS 75 CASOS DE ESTUPRO NO ANO PASSADO, UM RECORDE REGISTRADO DESDE 2013. DESSES, 59 FORAM VULNERÁVEIS. ELES CORRESPONDEM A QUASE 80% DESSAS ESTATÍSTICAS. ISSO ASSUSTA A SENHORA?

Um pouco. Os estupradores, principalmente pedófilos, estão por todos os cantos, são pessoas que a gente não imagina que possa agir dessa forma tão errada e cometer o abuso. Ninguém espera que um pai ou um avô possa fazer isso. E fazem. Quantos mais pedófilos não há por aí? O que nos conforta, de certa forma, e ajuda no momento da prisão dessas pessoas, é que esses números estão cada vez maiores não apenas porque há mais casos, mas também porque as vítimas estão driblando o medo e denunciando mais. Isso nos dá força para continuar com o trabalho e prender esses indivíduos que praticam essas atrocidades.

MUITAS VEZES, OS RESPONSÁVEIS PELOS ABUSOS SÃO JUSTAMENTE PESSOAS QUE TÊM VÍNCULO COM SUAS VÍTIMAS. PODEM SER DA FAMÍLIA. O PERIGO PODE ESTAR MESMO DENTRO DE CASA?

Sim. É mais comum que a gente imagina. São a maioria aqui na delegacia. Há muitos casos de pais ou padrastos abusando das crianças e não há classe social e faixa etária definidas. Eles “atacam” seus alvos com diversas formas de atos libidinosos, desde passadas de mão até concretização do ato sexual. O chocante, para mim, é a forma como as crianças contam que aconteceu. São histórias em que a gente tenta ficar entendendo como a mãe pode “permitir” isso ou não vê. Alguns adolescentes lembram-se que sofreram com isso quando veem seus irmãos, amigos ou pessoas próximas passando pela mesma coisa. Por isso é tão importante prestar atenção no comportamento da criança e, diante de qualquer indício de abuso, procurar a polícia.

QUANDO HÁ A DENÚNCIA DE ABUSO INFANTIL, QUAL A REAÇÃO MAIS COMUM DOS RESPONSÁVEIS? HÁ QUEM CULPE AS VÍTIMAS?

Acontece muito da mãe não acreditar e uma tia, avó ou outro parente levar a vítima até a DDM. E, na maioria das vezes, realmente houve o abuso. Lido com histórias em que a gente, aqui da delegacia, tenta entender como a mãe pode permitir isso ou não vê. Sabe e não quer admitir ou acreditar. Também há sempre aqueles responsáveis que, mesmo depois da denúncia, reagem de forma negativa com a vítima. Não acreditam em seus relatos, acham que há exagero ou é mentira. Um exemplo disso é um caso que esclarecemos no ano passado que a vítima, hoje com 14 anos, era estuprada pelo pai desde os 7 e avisou a mãe, que apanhava desse homem. Ela não acreditou e, quando prestou depoimento, inicialmente, confirmou que foi avisada e que acontecia. Depois, negou os fatos e, até hoje, continua com o acusado, que foi preso. Deixou a vítima de lado e insiste que não houve o estupro. Porém, não há dúvidas de que o abuso foi cometido por esse pai.

NO CASO DOS ESTUPRADORES: ELES COSTUMAM ENTENDER QUE ISSO É ERRADO E ESTÃO COMETENDO UM CRIME? RECONHECEM QUE SEUS ATOS SÃO VIOLENTOS?

Eles não entendem. Acham que é normal fazer isso e continuam, mas negam quando são confrontados. Pensam que é difícil de comprovar se houve ou não abuso. Mas não é novidade para ninguém que isso é crime. Há quem diga que, quem comete os abusos, tem doenças ou falha de caráter. Eu ainda não entendo como continuam fazendo uma coisa dessas com crianças, adolescentes e tantas vítimas.

É COMUM NOS DEPARARMOS COM DEPOIMENTOS NA INTERNET E RELATOS DIÁRIOS DE PESSOAS SE CULPANDO POR TEREM SIDO ABUSADAS. COMO A SOCIEDADE PODE AJUDÁ-LAS A ENTENDER QUE A CULPA NÃO É DELAS E ENCORAJÁ-LAS A DENUNCIAR?

Isso que estamos fazendo aqui, como falar do assunto e vocês sempre abordarem, ajuda demais. Toda oportunidade que tiver, falar sobre isso, denunciar e criar formas de resolver o problema. Também é fundamental que, quem percebe que a outra pessoa está sendo vítima de abuso sexual, denuncie. Não precisa dar o próprio nome, pode ser de forma anônima, através dos números 100 ou 197. O que não se pode fazer é ficar omisso diante de um absurdo desses, pois, quando há denúncia ou alguma atitude, a vítima começa a ser cuidada e tenta se recuperar disso.

ESTAMOS MAIS INTOLERANTES AOS CRIMES SEXUAIS E DENUNCIANDO MAIS?

Com certeza. As pessoas se revoltam quando percebem que estão diante desses casos, principalmente quando as vítimas são crianças. Porém, ainda estamos longe do ideal no que diz respeito a políticas públicas para vítimas de abuso. O governo precisava investir em tratamento para essas pessoas, cuidar melhor e olhar mais para essas pessoas. Ainda que exista encaminhamento para os Creas (Centro de Referência Especializado da Assistência Social) em alguns casos, medidas judiciais, condenações e respaldo do Conselho Tutelar, o País, como um todo, não tem muitas políticas que ajudem as vítimas. Os danos psicológicos são permanentes. Quem é vítima de abuso sexual, jamais esquece totalmente o que passou. É permanente. É necessário que ela tenha um apoio maior. Caso contrário, esses números de estupro só vão aumentar com o passar dos anos.

 

Links das Fontes:

http://gcn.net.br/noticias/371802/franca/2018/02/as-vitimas-de-abuso-ficam-marcadas-para-o-resto-da-vida

http://www.regionalfm985.com.br/noticias/cidade/746400

http://jornaldafranca.com.br/eventos/campanha-da-fraternidade

http://www.compromissoeatitude.org.br/numero-de-denuncias-de-estupro-tem-aumentando-nos-ultimos-anos-em-franca-jornal-da-franca-01052016/

       

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