Russia e China: Eixo contra o ocidente

A China e Rússia intensificam seu processo de aproximação para formar um eixo financeiro e geopolítico que faça um contrapeso ao bloco ocidental formado pela União Europeia e pelos Estados Unidos. A análise de cientistas políticos em matérias publicadas em jornais americanos como o “The New York Times” é confirmada pelo novo presidente chinês Xi Jinping, que escolheu a Rússia como primeira visita oficial, logo depois de sua recente posse.

E o novo presidente explicou assim a escolha:“Assim que tomei posse, vim à Rússia em visita oficial, pois mantenho o compromisso de continuar a boa tradição de fazer a primeira visita oficial aos nossos países, mostrando o caráter especial da parceira entre a China e Rússia em todos os domínios, assim como a nossa cooperação estratégica”.

Os discursos dos dois dirigentes foram uma troca formal de elogios. Respondendo ao colega, o presidente Vladimir Putin destacou: “Há muito tempo que conheço Xi Jinping, o atual presidente chinês. Mantemos relações amigáveis há alguns anos. Mas esta é a primeira vez que nos visita como chefe de Estado e é a sua primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse. Apreciamos particularmente este gesto simbólico.”

Politicamente, os dois países têm muitos pontos de vista em comum. Ambos são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e já por três vezes vetaram as iniciativas ocidentais que visavam impor sanções ao regime sírio, de quem são parceiros comerciais. E com o Irã, com quem também mantem acordos. Além disso, ambos tem interesse no porto sírio de Tartus, uma saída estratégica para o Mediterrâneo.

Há cerca de um ano que os dirigentes chinês e russo não se reuniam oficialmente. O último encontro foi com Vladimir Putin em junho de 2012, menos de um mês depois dele assumir novamente a presidência. Hoje, o presidente chinês mudou, é Xi Jinping, que também escolheu a Rússia para primeira visita ao estrangeiro, o que reflete a vontade de prosseguir a cooperação privilegiada entre os dois países.

A sintonia vem sendo mostrada mais recentemente na cena internacional com a questão Síria e o veto a uma intervenção da ONU , reiterado várias vezes por Moscou e Pequim, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança. Um dos assessores do Secretário Geral Ban Ki-Moon definiu assim a intensificação da parceria sino-russa: “São dois países sozinhos contra o mundo, nomeadamente contra a hegemonia diplomática americana, o que vem provocando críticas de tentativa de relançamento de guerra fria”.

E a mesma fonte prosseguiu: “A parceria vem se consolidando rapidamente, principalmente no campo econômico. Rússia é hoje o maior produtor mundial de energia, enquanto que a China é a maior consumidora. Ambos, querem reforçar a influência financeira e geopolítica em relação aos EUA, pois a estratégia regional americana e seus aliados preocupa Pequim”.

Um relatório da Organização Mundial do Comércio informa que as últimas décadas ficaram marcadas pelas fortes trocas comerciais entre os dois países. Moscou fornece a Pequim tecnologia militar e espacial, assim como petróleo. E a Rússia importa em massa produtos chineses de grande consumo. Estas trocas comerciais multiplicaram-se por 14, em 20 anos, e atingiram, no ano passado, o recorde de 68 bilhões de euros. O objetivo dos dois países é chegar a 77 mil milhões até 2015.

Mas a Rússia tem outro objetivo: estender a influência em Pequim no âmbito dos hidrocarburetos para diversificar o fornecimento fora de Europa. A meta é duplicar o fornecimento anual de petróleo do gigante Rosneft, que produz anualmente 15 milhões de toneladas. Também pretende enviar para a China 70 mil milhões de metros cúbicos de gás, até daqui a 30 anos.

O crescimento econômico de Moscou e Pequim não avançam ao mesmo ritmo. A China consolidou-se como super-potência. Em 2012 seu o PIB deu um salto positivo de 7,8%, enquanto a Rússia registava um crescimento de 3,5%, que hoje está estagnado. Este fator foi decisivo para por fim à política de concorrência e para dar lugar a uma parceria comercial entre os dois países.

Esta disposição pode ser constatada, conforme observadores internacionais, na visita a Pequim de Dmitri Medvedev logo depois de eleito pela segunda vez, quando garantiu que os dois países vão prosseguir com a atual estratégia de uma parceria conjunta que se aplica a todos os campos É o caso, por exemplo, da parceria entre o gigante Gazprom e a companhia nacional petroleira chinesa que decidiram prolongar o acordo para a entrega de gás russo à China.

Pequim, por sua vez, responde aos objetivos de Moscou no que toca à diversificação das exportações contornando a Europa. E a Rússia aos da China já que permite multiplicar as fontes de abastecimento necessárias para alimentar o crescimento. Ao final da visita os dois chefes de Estado presidiram à cerimônia de inauguração do oleoduto que vai transportar petróleo da Sibéria para as refinarias no nordeste da China.